Foto: CNA/Wenderson Araujo/Trilux

A União Europeia oficializou a decisão de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para os mercados do bloco. A medida entra em vigor em 3 de setembro de 2026 e afeta produtos como carne bovina, carne de aves, pescado, mel e tripas animais.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União Europeia nesta sexta-feira (5) e confirma um anúncio feito em maio pelas autoridades europeias. Segundo o bloco, o Brasil não apresentou informações consideradas suficientes para comprovar a conformidade com as regras europeias relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

Os antimicrobianos incluem substâncias utilizadas para prevenir e tratar infecções em animais, como antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasitários. A União Europeia tem endurecido suas exigências sanitárias para reduzir os riscos associados à resistência microbiana, considerada uma ameaça à saúde pública global.

Impacto para o agronegócio

O veto representa um desafio para o setor agropecuário brasileiro, especialmente para os exportadores de proteína animal. A União Europeia é um dos mercados mais relevantes para produtos agropecuários brasileiros e a medida pode afetar bilhões de dólares em negócios caso não seja revertida antes da entrada em vigor.

Além da carne bovina, também serão atingidas exportações de aves, equinos, peixes, mel e outros produtos de origem animal. O anúncio ocorre poucos meses após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, gerando preocupação entre produtores e representantes do setor.

Governo brasileiro busca reverter decisão

O governo brasileiro já havia informado, em maio, que adotaria medidas para tentar reverter a decisão europeia. Em nota oficial, autoridades brasileiras afirmaram que o país possui um sistema sanitário reconhecido internacionalmente e que buscará demonstrar o cumprimento das exigências técnicas impostas pelo bloco europeu.

Representantes do Brasil também iniciaram tratativas com autoridades da União Europeia para esclarecer os critérios utilizados na exclusão do país da lista de exportadores autorizados. Até setembro, há expectativa de negociações diplomáticas e técnicas para evitar que o veto produza efeitos permanentes sobre as exportações brasileiras.

Reflexos para Minas Gerais

Em Minas Gerais, estado com forte participação na produção agropecuária nacional, a decisão é acompanhada com atenção por produtores rurais, cooperativas e exportadores. Embora os impactos diretos variem conforme o segmento e o destino das exportações, o veto reforça a importância da adequação contínua às exigências sanitárias internacionais e da diversificação dos mercados compradores.

Especialistas avaliam que o episódio pode acelerar investimentos em rastreabilidade, controle sanitário e certificações, fatores cada vez mais valorizados pelos mercados internacionais.

Enquanto as negociações seguem em andamento, o setor produtivo aguarda os próximos passos das autoridades brasileiras e europeias para avaliar o alcance real da medida e seus possíveis efeitos sobre a competitividade do agronegócio nacional.

Fonte: Agência Brasil

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Mateus Ferreira de Araújo
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