Por Mateus Ferreira de Araújo – Cientista Político.
Ao longo de sua história, os Estados Unidos conquistaram um papel de liderança mundial, moldando políticas econômicas, militares e culturais. No entanto, nos últimos anos, esse império tem enfrentado desafios que põem em dúvida sua hegemonia. Como afirmou o historiador Niall Ferguson, “o império americano está enfrentando uma crise de legitimidade” (Ferguson, 2004).
Entre esses fatores, destacam-se as estratégias de chantagem e pressão exercidas por seus líderes, que parecem refletir uma tentativa de manter ou ampliar seu poder em um cenário internacional em rápida mudança. Segundo o cientista político Joseph Nye, “a chantagem é uma forma de poder que pode ser eficaz no curto prazo, mas é prejudicial ao longo prazo” (Nye, 2004).
A tática da chantagem como instrumento de poder
Desde a Guerra Fria, os EUA usaram diversas formas de pressão para influenciar outros países — seja através de sanções econômicas, ameaças militares ou manipulação diplomática. Por exemplo, a crise dos mísseis em Cuba em 1962, onde os EUA ameaçaram a União Soviética com uma guerra nuclear se não retirassem os mísseis da ilha. Como disse o presidente John F. Kennedy na época, “não podemos permitir que a União Soviética estabeleça uma base militar ofensiva a apenas 90 milhas de nossas costas” (Kennedy, 1962).
Nos últimos tempos, sob a administração atual, há uma preocupação crescente sobre a utilização de “chantagens” políticas, onde o poder é exercido por meio de ameaças e pressões. Isso pode ser visto na:
- Ameaça de construir um muro na fronteira com o México e impor tarifas alfandegárias a produtos mexicanos se o país não cooperasse com as demandas dos EUA.
- Retirada dos EUA do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e ameaça de impor sanções econômicas a países que não se alinhassem com as políticas dos EUA.
- Pressão sobre a Coreia do Norte para que abandone seu programa nuclear, com ameaças de ataques militares.
Essas ações demonstram uma abordagem de poder baseada na chantagem e na pressão, que pode ter consequências negativas para a estabilidade global e a cooperação internacional. Como afirmou o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, “a política externa dos EUA deve ser baseada na cooperação e no diálogo, e não na chantagem e na pressão” (Kissinger, 2014).
Referências:
- Ferguson, N. (2004). Colossus: The Rise and Fall of the American Empire. Penguin Books.
- Nye, J. S. (2004). Soft Power: The Means to Success in World Politics. PublicAffairs.
- Kennedy, J. F. (1962). Discurso sobre a crise dos mísseis em Cuba.
- Kissinger, H. (2014). World Order. Penguin Books.



